top of page
Buscar

É tempo de semeadura

  • eagroecologandobr
  • 6 de mar. de 2021
  • 3 min de leitura


"Mesmo em meio aos tempos difíceis, sementes de esperança emergem"

(Edgar Morin)



Assim como nas palavras de Edgar Morin, o saudoso Bispo Pedro Casaldáliga, quando o mesmo diz “Por meu povo em luta, vivo. Com meu povo em marcha, vou. Tenho fé de guerrilheiro e amor de revolução", revela o tom apropriado para o momento em que vivemos no Brasil.

Chegamos ontem (05 de março de 2021), segundo o balanço do consórcio de veículos de imprensa (CONSÓRCIO DE VEÍCULOS DE IMPRENSA, 2021), composto pelo G1, O Globo, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, a 10.871.843 casos e 262.948 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia. Estamos num crescente de casos, sem perspectiva de mudanças pontuais por parte do Estado e com a assinatura do mercado (setor privado) na ineficiência de ações de combate as várias faces da Pandemia ou, talvez, de combate as várias Pandemias que vivemos.

Digo isto por compreender que estamos diante não apenas das diversas vivências e percepções sobre a Pandemia de Covid-19, com o desvelar do racismo ambiental e sua diferença impositiva da injustiça socioambiental contra os diversos grupos vulneráveis sofrendo desproporcionalmente os custos sociais em benefício de outros grupos de poder étnico, político e social. Afinal de contas, esta história de que estamos no mesmo barco nada mais é do que um pressuposto (neo)liberal para isentar a responsabilidade daqueles que tem o poder econômico e político sobre a vida da base da pirâmide social. E, por mais que tenha minhas dores e lamentos, digo isto sem medo e com propriedade, por ter consciência de meus privilégios, por mesmo pertencendo a classe trabalhadora, ter condições econômicas e político-estruturais étnicas melhores que muitos outros.

Na verdade, estamos na mesma tempestade. Uns em seus transatlânticos ou iates luxuosos, outros em suas lanchas e a maioria em suas jangadas ou mesmo nadando e enfrentando ou, como os demais, também contribuindo com as gigantescas ondas da tempestade. Estamos, principalmente, diante de outras Pandemias: a de negar a periculosidade da Covid-19 e importância da ciência; a da naturalização e falta de empatia das/com as mortes pela Covid-19; a do ódio e conivência com o projeto de morte do Estado ou retórica violenta sobre a resposta dos oprimidos diante do suplício; e a pandemia de colocar no mesmo bojo negacionista os saberes tradicionais (etnoconhecimento), reforçando o pensamento moderno de desvalorização dos saberes/conhecimentos que não passam pelos métodos da ciência moderna.

Neste último ponto vale ressaltar a fala de Boaventura de Souza Santos, trazendo a dimensão da Ecologia de Saberes: “os saberes são todos incompletos, uns saberes são melhores que outros para certos objetivos, outros para outros objetivos. Portanto, para diferentes objetivos eu preciso de diferentes conhecimentos” (SANTOS, 2013). Ou seja, tanto não se trata de negar ou suprimir os saberes tradicionais quanto de negar a importância da ciência moderna. Trata-se de convergir valores, situar cada qual em sua seara de objetivos e, principalmente, não dar margem à desinformação criminosa do negacionismo fomentado nesta (espero) curta era obscurantista institucionalizada.

É neste cenário que nos encontramos. E por isso, com este breve texto, anunciamos a inauguração deste nosso espaço plural do EAgroecologando e esperamos semear a empatia não apenas com o florescer de reciprocidade, sentimento e ética que o território do afeto se assenta, mas com a indignação, a criticidade e luta que cabe neste giro decolonial do olhar, discurso e prática de construção de conhecimento e concretização do bem viver socioambiental. É tempo de semeadura. Estudemos! Partilhemos! Cuidemo-nos! Quem ama, cuida! Quem ama, lamenta! Quem ama, chora! Quem ama, luta!


AUTORIA: SANTOS, M.E.F.S.



REFERÊNCIAS


CONSÓRCIO DE VEÍCULOS DE IMPRENSA. Brasil registra 1.760 mortes em 24 horas, e total chega a 262,9 mil; médias de mortes e de casos são as maiores da pandemia. Portal G1, 2021. Disponível em https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/03/05/brasil-registra-1760-mortes-em-24-horas-e-total-chega-a-2629-mil-numero-de-casos-aumenta.ghtml. Acesso em 06 mar. 2021.


SANTOS, Boaventura de Souza. Boaventura de Sousa Santos – UPMS / Alice. in: Encontro de Ecologia de Saberes – Teia de Saberes e Práticas, Fortaleza (CE), Aicó Culturas, 2013. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=R1HAyIJ0TGw. Acesso em 20 out. 2020.




*Obs: as matérias dispostas no EAgroecologando são de total responsabilidade de seus autores.

 
 
 

Comentários


JUNTOS PELO BEM VIVER

Para acessar as indicações de páginas, clique nas imagens

Logo NEA 10 anos lápis de cor Transp.png
PROFCIAMB_2-removebg-preview.png

Associada UFS

GEA LOGO.jpg

O bem viver –  enquanto filosofia de vida – é um projeto libertador e tolerante, sem preconceitos nem dogmas. Um projeto que, ao haver somado inúmeras histórias de luta, resistência e propostas de mudança, e ao nutrir-se de experiências existentes em muitas partes do planeta, coloca-se como ponto de partida para construir democraticamente sociedades democráticas

 

(ACOSTA, 2019)

ANA_LOGO.png
Articulação nacional de Agroecologia_LOG
aba-agroecologia-novo-300x212.jpg

Assine nosso Boletim de Notícias e fique por dentro!

Obrigado pelo envio!

Nossas Redes

  • Instagram
  • Facebook

CONTATO >

E-mail: eagroecologandobr@gmail.com

Bastidor_EAgroecologando_LOGOTIPO TRANSP

Elaborado por Marcio Santos

Barra_de_rodapé_Cordel_Decolonial.png
Zunido da Mata_Renata RosaRenata Rosa
pautas musicais.png
bottom of page